4 de junho de 2010

Geni e o Zepelim - Um olhar diferente

"Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni" (...)

A Geni pode ser moça donzela, fazer parte da classe burguesa, estar destinada à grandes cargos ou apenas ser doméstica e não ter sequer o primeiro grau completo. Mas a Geni do Chico é a mulher de aço e de flores, a menina\mulher que tenta dizer ao mundo que também sente frio, fome e sede, que tendo algo material de valor ou não na vida, é alguém, que precisa de outros "alguéns" para sobreviver. Ela é tão gente como nós, que paga tributos ao governo, que faz suas compras do mês, que encara filas e que precisa cuidar de seus filhos. Aos olhos de quem vê por trás, não compreende que cada pessoa tem algo especial dentro de si, que julgo por fatos morais não justificam o que é interior, o que é coração ou o que julgamos ser do bem. Meu maior segredo é confessar que também sou uma Geni, e vendo meu corpo aos moldes da moda, da estética, do luxo e do capitalismo. Sou Geni quando me entrego à sociedade de corpo e alma em causas infundadas e anti-éticas, ou quando critico alguém sem ao menos dar-me o trabalho de compreender qualquer fato social que rodeia tal ação. Encabulada fico, quando tenho que viver de acordo com os conformes estabelecidos, ou quando preciso regrar qualquer ato, tomar cautela com minhas omissões ou pagar caro por minhas inverdades. O homem não tem outra arma se não a si, e isso acontece quando o mesmo compara o modo como vive e o estabelece como coeso e coerente, o problema é que a sociedade não entende que concavo e convexo também podem se unir, na mesma medida que uma sociedade se faz através de um algo em comum, por isso tem denominação de comunidade, o outro também faz parte de nós assim como partes nossas são encontradas em outras pessoas. E quando julgamos o outro, julgamos a nós mesmos, numa subjetiva vontade de expor tudo o que somos criticamos ao mundo, e afastamos cada vez mais a possibilidade de um dia vivermos em paz e em harmonia. O grande poeta Augusto dos Anjos dizia que: "a mão que afaga é a mesma que apedreja".

"Não vivo como quero, se vivo, assim o preço certo futuramente acerto". (T.Oliveira)

Talita Oliveira