4 de dezembro de 2011

Patologias do amor

O amor é uma doença incurável, um vício insaciante, quanto mais se sofre, mais ainda quer-se arder em dor, como um ser envenenado, que dispensa sua cura, pois, seus olhos estão completamente fechados para tudo que ocorre à sua volta.


É mais difícil largar do que se imagina, sequer pensar em resistir... ele arrebata nosso coração de tal forma que coloca-nos de ponta cabeça, leva-nos à noites mal dormidas seja de alegria ou tristeza... flores em dias simplórios, chances de declarações perdidas, cartões espalhados pela casa, choros inoportunos, sensações de angústia e dor, extrema felicidade e excitação, são as coisas mais bobas e infantis, os olhares mais sérios e seguros, o desejo pelo "infinito" ou a dor do adeus... como é dificil abandonar, por mais mal que chegue a nos causar, dizer não ao que mais se deseja, ao que tanto nosso coração pulsa sem sequer pedir nosso consentimento... é demais, para um ser mortal e amante, que tem sede de amar, mesmo em plena consciência do sofrer.


Custa-me os céus, mas só Deus sabe quantas vezes tive de ir ao inferno, de provar dos mais amargos gostos, as mais terriveis fraquezas, para então sentir o que ao mesmo tempo me fazia feliz. Amar, é tão inevitável quanto o sofrer, machuca e fere como o mais forte guerreiro gladiante... sei que por vezes estes sentimentos chegam a nos transformar em meras mariotes de circo, mudam toda nossa direção, retiram quase que por completa nossa razão, nosso raciocínio sob o certo e o errado, o bom e o ruim, o indigno e o valoroso.


O impacto das feridas deixadas por nossos amores e desamores são, em determinadas pessoas, muito profundas, se esse sentimento for tão importante assim em sua vida, dê todas as chances que são para você necessárias, contudo, se com o passar dos dias, dos meses ou até mesmo dos anos isso não se modificar, lembre-se que ainda existem outras dores mundo à fora, outros amores viciantes, outros venenos latentes que podem fazer você sofrer, mas que enquanto habitar em você, fará de tudo pra mostrar-lhe os céus na sua profunda verdade, e não te causará o mal em torno de seus sacrifícios.


Talita Oliveira


"É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado". (Guimarães Rosa)

23 de setembro de 2011

Viver e mais um pouco, mais um pouco e viver (...)

São vastas as possibilidades de se viver a vida, o único lamento é a tal da vida ser única, insubstituível e não estar sujeita à retorno. Difícil é fazer com que algumas pessoas percebam que o tempo está caminhando, e cada vez mais ágil. As vezes me questiono, de forma afirmativa e intrigante: Porque algumas pessoas não esquecem-se umas das outras de vez em quando e não correm atrás de viver o melhor que a vida pode lhes proporcionar? Porque não vão atrás da sua própria felicidade? Porque com tão pouco tempo para se viver, para contribuir e receber, as pessoas preocupam-se mais em analisar o que o outro faz, com quem o outro faz, de que modo ele faz e o porquê faz? Não compreendo a sede humana em entreter-se com a vida alheia, vidas tão simples por sinal, vidas tão vidas, vidas com vontade de viver e não de serem monitoradas, assistidas ou vividas por segundos ou terceiros. Tantas pessoas especiais à nossa volta, e quantas ocasiões perdemos por estacionar no tempo (...)


Parece-me que o bom é ver e/ou causar polêmica, ou melhor: “o fato social de valor”, como já foi colocado em questão pelo jusfilósofo Miguel Reale em suas vastas teorias, afinal, percebo que em determinados momentos o ideal para muitas pessoas é sentir ou fazer as coisas ficarem fora do lugar na vida do outro, para então se divertir, viver... não a sua própria vida, claro, custaria caro demais para si, e também não seria tão interessante quanto ver o outro, ver de fora, ficar de platéia na vida alheia.


Sendo assim, venho com um propósito à todos: façamos um pequeno teste, ou trato: vamos deixar a vida seguir, porque para o universo somos meros coadjuvantes, por outro lado, somos protagonistas do NOSSO próprio viver. Então, alimente-se de si mesmo e plante dentro do seu jardim, coisas boas ou ruins, cabe a você optar, cabe a nós mesmos decidirmos se paramos ou prosseguimos com a caminhada, afinal, só seremos realmente felizes quando estivermos vivendo nossa própria vida, podando nossas próprias árvores, semeando nosso pequeno grande mundinho de intrigância, decisões e reflexão.

"Viver é a coisa mais rara do mundo - a maioria das pessoas apenas existe". (Oscar Wilde)





Talita Oliveira Gomes

5 de agosto de 2011

Queda Insana

É certo de que em algum ou muitos momentos em nossa vida nós iremos dar de frente à determinadas situações em que enxergaremos o fundo do poço, pois bem, quando estas situações chegarem na sua vida, não se desespere, pois, dizem por ai que este é o melhor lugar do mundo para se estar, então, ouvindo isto com tanta veemência me encaquetei a saber o porque de tal afirmação... responderam-me que é a partir de lá que podemos subir e refazer gradativamente o começo de TUDO que se destruiu, de tudo que se perdeu em meio aos errantes caminhos da vida que nos direcionamos. Sei bem que não deve ser nada fácil adentrar por várias vezes ao fundo do poço, por inúmeros momentos sofrer, enxergar a tristeza de perto o caos inteiro caindo sobre você e toda sua vida, a solidão diária e/ou o desespero periódico.

Bem... de uma certeza eu tenho: as diversas vezes que você caiu, te fizeram enxergar situações diferentes, te deram pensamentos diferentes sobre as coisas, maneiras diversas de olhar o que sempre esteve à sua volta e nunca obteve sua devida atenção, fatos que passaram despercebidos e acima de tudo, acalento ao seu coração em justificativas internas plausíveis à você, de forma a te amadurecer e te proporcionar paz ao que tanto de fazia inquietar nas inúmeras noites perdidas, de extrema insônia e lamento.

Sendo assim, cá estamos... e pensando: como chegamos ao fim do poço? erros? caminhos tortos? decepção? Ou todos estes atos juntos?

Bem... Sobre erros, erraremos sempre! Seremos eternos errantes (...) Sobre caminhos, entraremos em atalhos achando ser o caminho certo, entraremos em caminhos que veremos no final que verdadeiramente eram apenas atalhos e não nos demos conta (...) E quanto à decepções, bem, essa é um tanto mais complicada... a decepção vem na verdade da expectativa que o ser humano cria em volta de determinadas coisas ou pessoas, se não criassemos expectativas, seria muito simples, viveriamos felizes sempre, mas é TÃO NECESSÁRIO passar pela dor as vezes, assim aprendemos com mais ênfase sobre o que fazer e o que não fazer, o que abrir mão e o que não abrir mão por algo ou alguém.

"Então, vemos que o problema não está exatamente no problema, mas na ação que tomamos diante deste problema, e em como enxergamos e enfrentamos o mesmo, logo, apresse-se afinal, os dias são longos, porém, os anos são curtos. Contudo, 'apresse-se lentamente'".

Talita Oliveira

8 de julho de 2011

O Interessante e o Supérfluo

O interessanté é crer que existe algo mais além do comum, desvendar que vivemos uma vida passageira, e que planos e projeções tem valor e sentido. Do mesmo modo, cabe-se pensar que necessariamente, a vida te encaminha para seu lado supérfluo, que acontecem muitas vezes por instantes e momentos que podem durar dias, meses ou até mesmo longos anos.


Supérfluo é aquilo que todos merecemos passar, viver e sentir, para poder dar o devido valor aquilo que realmente devemos nos importar, pois, "ai se sesse" e não fosse o supérfluo em nossas vidas, não compreenderiamos o valor do amor, da vida, ou dos momentos que passamos com determinadas pessoas e em determinados lugares. O que nos dá esperanças é saber que a vida se encarrega de recolocar as coisas no seu devido lugar, e até mesmo retirar o que ainda de supérfluo resiste a ficar em nossas vidas.


O ciclo da vida é mágico, impressionante como as coisas andam nas devidas direções, enquanto achamos que tudo esta desandando, a verdade é que as coisas só estão indo de encontro ao correto, ao devido, sendo assim... ao necessário. Cabe-nos então, refletir e pensar sobre o que ainda falta pra deixar que a vida nos retire ou nos reponha, viver requer cuidado, arriscar nem sempre é necessário, outras vezes, pode ter sido supérfluo.

Com a vida, aprendemos que é mais necessário aquilo que é interessante e que está além do cotidiano, do comum e da mesmice; porque o que fica pra sempre não é nada mais além disto; as coisas supérfluas, com o passar do tempo não tem mais valor, nem sequer motivo para existir... O homem precisa se reordenar sempre, mas isso não significa virar uma metamorfose ambulante do Raul Seixas, apenas buscar compreender o que cabe e o que não cabe nas nossas vidas.

"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade". (Mário Quintana)

Talita Oliveira